Fragmentos

By caradecavalo

“…onde o mais sagrado é o direito a revolta. Revolta contra os pais e o paternalismo, contra as instituições, os valores sociais e tudo que usualmente se chama normalidade. Contra a autoridade e o estabelecido. Contra o uniforme, o resignado e o costume. Uma urgência que nasce em recantos desconhecidos da alma e emerge, lentamente até se tornar nítida. Que força sua via através dos lábios e soa como um irredutivel Não. Nega incondicionalmente a injustiça e deixa pairando no ar o enigma de como combate-la. Não há fórmula para a revolta. Tampouco há garantia de sucesso. O que há é a certeza de a ter de usar como motor. Para se manter vivo. Não afundar no lodo da resignação ou na tragédia da cegueira. Não render-se e entregar o que nos faz humano. E buscar impassível e pacientemente as brechas.”

“Peter Sloterdjik descreve a atitude do Kynicos (cínico): Sua meta é tipicamente uma falsa regressão que esculhamba a autoridade – especialmente a autoridade que o Kinicos considera corrupta, suspeita ou desonrada.”

“Ora, toda autoridade é ilegítima. A resistência é a regressão. A recusa terminal de adoção do código da maturidade, da aceitação social, do respitável, do educado, da cortesia, etc. A recusa dos códigos do mundo adulto, do universo corporativo, da civilização. A regressão enquanto resistência era praticada por Diógenes de Sinope. Regressão å infância. Regressão ao animal.”

“A revolta contra a racionalidade. O retorno ao mundo mágico da infância e dos ditos povos primitivos. A revolução xamânica panteísta. A redenção do niilismo. A existência polimórfica. Incoerência e irredutibilidade.”

“Respeito as pulsões bestiais aliado ao principio da solidariedade. Anarquismo individualista aliado ao anarco-budismo. O coletivismo e profundo respeito ao próximo. Irredutibilidade frente a injustiça. Novas revoltas serão inéditas, imprevisíveis e surpreendentes. Revoltas dos costumes aliadas a quebra da totalidade. Inverter a moral burguesa serve como efeito retórico mas não revolucionário. É necessária a combinação da revolta moral, intelectual, política, estética e sexual. A destruíção da oligarquia, do capital, da propriedade, da violência. Destruição da autoridade, da idoletria, do poder, do mito, do ódio. Quebre do principio de identidade. Fim das fronteiras e dos estados nacionais. Fim das nações, dos povos, das etnias, das raças e dos gêneros. Polimorfismo radical. O fim da subordinação, da submissão da auto-repressão. O fim da obediência e do capricho.”

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